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EXAMES DE GRAVIDEZ




Nos exames de gravidez de antigamente, quem tinha a resposta era o SAPO!! Lançado em 1942 e empregado no Brasil até o começo dos anos 1970, a Reação de Galli Mainini foi criada na Argentina e se espalhou pelo mundo. O nome é uma referência ao seu precursor, Carlos Galli Mainini.

Embora a base da reação de dê com o mesmo hormônio até hoje, no princípio o exame era biológico e não químico, como atualmente. Antes da coleta, a mulher não deveria ingerir muitos líquidos para não diluir demais a urina que, em seguida, seria injetada no sapo pela via subcutânea. O objetivo era atingir o saco linfático do anfíbio. A espécie utilizada por Verner era do gênero bufo arenarium. Tinha que ser macho e pesar mais de 100 gramas para estar apto para o exame. Cerca de 10 ml da urina da mulher eram suficientes. Se o líquido injetado tivesse o hormônio denominado gonadotrofina coriônica humana (hCG), presente nas mulheres grávidas, era induzida a liberação de espermatozóides que se deslocavam até a cloaca do sapo e se acumulavam na urina.

O processo levava 24 horas. Esperado o tempo necessário, o material do sapo era coletado e levado ao microscópio para a constatação da presença ou não dos espermatozóides. Eles têm o formato de um fino risco preto com uma cauda e são dotados de movimento. Detectada a presença, estava confirmada a gravidez.

O exame tinha certa margem de erro, é verdade, mas Emílio Niebuhr, que dedicou grande parte da sua carreira médica à obstetrícia, lembra que era o método mais confiável que se tinha. “Às vezes era necessário repetir, mas dava certo. Normalmente quando dava positivo, a gente acreditava mais. Quando dava negativo, ficava na dúvida. Esperava 20 dias e pedia outro exame”, lembra. Mas a eficácia do exame do sapo era considerada bastante boa. Em gestações de menos de quatro meses, os resultados positivos eram de 99,5% a 100%.



Depois de três meses, o mesmo sapo poderia ser reutilizado em novo teste, razão pela qual a data do procedimento era marcada em um pequeno pedaço de esparadrapo afixado na patinha. A maioria deles, todavia, era solta para reintegrar-se ao seu habitat natural sem prejuízo algum. Brusque tinha um considerável número destes animais pelas calçadas. Era comum. Tanto que, conforme lembra do Dr. Nica, certa vez, um grupo vindo do Rio de Janeiro ficou impressionado com a quantidade de sapos e coletou duas caixas para levar consigo. Porém, ao chegarem em Itajaí, as caixas caíram no chão e os sapos desapareceram.

A necessidade científica levou os laboratórios da época a manter funcionários responsáveis por capturar e até cuidar da criação de sapos. Alguns chegavam a publicar anúncios para a compra dos anfíbios. Ao Laboratório Verner Willrich, eles vinham pelas mãos de familiares, parentes e amigos. Thekla, a mais jovem das irmãs de Verner, levava os anfíbios dentro de uma caixa com furinhos na garupa da bicicleta. Toda confusão (ou diversão) se instalava quando esta caixa resolvia abrir-se durante o percurso. Imagine o leitor a correria atrás dos sapos.

O método com sapos não durou muito tempo e foi substituído logo nos primeiros anos, ainda na década de 1960 pelo Planoteste, pioneiro no ramo. Já nesta época, o mercado laboratorial mostrava-se competitivo e passou a oferecer diversos ensaios baseados em Anticorpos hCG e em técnicas de imunoaglutinação, alguns dos quais ficaram famosos como o Pregnosticon, nome comercial de uma das marcas vendidas à época.

Caminho natural dos avanços técnicos e científicos que acompanham a medicina, assim como os sapos, mais tarde estes exames também deixaram de ter utilidade e foram substituídos por outras tecnologias, mais modernas, mais fáceis de serem executadas, mais sensíveis e mais específicas.


Atualmente o Laboratório Verner Willrich aplica a técnica de quimioluminescência para realizar o teste de BHCG quantitativo. Este exame, com resultado para o mesmo dia, não só confirma a gravidez como é capaz de estimar quantas são as semanas de gestação. Realiza também o teste de Beta HCG qualitativo, com a técnica de imunocromatografia. Neste caso, o resultado será somente positivo ou negativo. A sensibilidade destes testes aumentou de tal forma que não é imprescindível o atraso menstrual, uma vez que ele detecta níveis do hormônio da gravidez até quatro dias após a fecundação. E para as mães ansiosas que querem logo escolher o nome para seu bebê, o Laboratório oportuniza que, através do exame de Sexagem Fetal, se possa saber, pela simples coleta de sangue, o sexo do bebê na 8a. semana, com 99% de acerto do resultado.


Na época dos sapos, o laboratório funcionava na Av. C. C. Renaux, aos fundos do n. 53, próximo a oficina de consertos de televisão do Venceslau Beber. Quem entra naquela ruazinha, tem no lado esquerdo uma escada que sobe. era ali.

Pesquisa: Ricardo Engel.

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