Ilustro este tema, com um poema escrito em 1931, pelo poeta Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal. 1888 / 1935 ). NÃO SEI SER TRISTE A VALER Não sei ser triste a valer Nem ser alegre deveras. Acreditem: não sei ser. Serão as almas sinceras Assim também, sem saber? Ah, ante a ficção da alma E a mentira da emoção, Com que prazer me dá calma Ver uma flor sem razão Florir sem ter coração! Mas enfim não há diferença. Se a flor flore sem querer, Sem querer a gente pensa. O que nela é florescer Em nós é ter consciência. Depois, a nós como a ela, Quando o Fado a faz passar, Surgem as patas dos deuses E a ambos nos vêm calcar. Está bem, enquanto não vêm Vamos florir ou pensar. (3-4-1931) Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. Ática.
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