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GELADEIRAS CÔNSUL


O ano era 1847. Stutzer era um homem muito inteligente e autodidata, que sempre se dedicou em criar coisas novas. Ele não descansou enquanto não decifrou o enigma da geladeira importada, movida a querosene.
"Ele ficou matutando... "Por que embaixo tinha fogo e em cima tinha gelo se eram coisas contrárias?" - lembra Dolores Ingrit Heinzelmann, filha de Stutzer (em 2019, aos 84 anos).





Ela recorda que era bem menina quando o pai decidiu criar uma geladeira a querosene. "Quando chegou em casa de viagem, ele começou a trabalhar e fez disso um projeto. Depois de muito trabalho, ele conseguiu realizar este sonho."

Stutzer trablhava dia e noite na oficina, com o objetivo de criar a geladeira. Dolores conta que a primeira levou mais de um mês para ficar pronta. Para conseguir o feito, ele pediu ajuda ao cunhado Oscar Bachmann, com os cálculos. Já a parte mecânica foi toda desenvolvida por ele, com chapas de metal dobradas manualmente.



Logo a notícia de que uma geladeira a gás havia sido fabricada em Brusque se espalhou, chegando até Joinville. Lá, o empresário Wittich Freitag, das Lojas Freitag se interessou pelo negócio e decidiu vir a Brusque ver de perto o feito de Stutzer. "Ele chegou para o meu pai e falou que podiam levar essa ideia para Joinville, e abrir uma fábrica de geladeiras por lá.", conta Dolores.

Stutzer aceitou e se tornou sócio de Freitag e também do empresário Guilherme Holderegger. No início, Dolores lembra que eram fabricadas duas geladeiras por semana. Em Brusque, seus amigos achavam loucura.

"Quando eles se acertaram na conversa, meu pai foi falar para os amigos em Brusque e eles diziam que era uma ideia louca, pois quem iria comprar todas essas geladeiras? Realmente o negócio ficou tão grande que hoje fabricam mais de 1.000 geladeiras por dia."

Foi assim, então que surgiu a primeira fábrica de geladeiras do Brasil: a Consul. O nome da indústria foi um pedido do próprio Stutzer, como forma de homenagear o seu amigo Carlos Renaux. "Meu pai exigiu que o nome da fábrica continuasse 'Consul'", afirma.

Stutzer ficou na empresa até o fim dos anos 1950. "Lembro que ele idealizou alguma coisa para a porta da geladeira. Não aceitaram e fizeram algo bem diferente. Ele chegou bem abatido em casa, sentiu que não era mais o dono disso.", conta Dolores.



A filha recorda que o pai era um homem inquieto e sempre estava à procura de novos projetos. Depois de deixar a Consul, documentou em foto e vídeo a construção de Brasilia. Rodou o país, fazendo excursões com um ônibus e, depois de uma viagem à Alemanha, criou o espetáculo das Águas Dançantes, que fez muito sucesso nos anos 60 e 70.

"Meu pai era um grande curioso. Lembro que o chamavam de 'Professor Pardal', pois ele tinha uma grande facilidade fazer coisas diferentes".

Dolores fala com orgulho das façanhas do pai e do legado que ele construiu. "Todas essas coisas enchem a gente de orgulho. Era um homem muito alegre, dado, uma grande pessoa." Rudolf Stutzer morreu em 17 de janeiro de 1984.

"Eu e meus irmãos temos muita saudade dele e conseguimos incutir nos nossos filhos e netos o orgulho e o amor que temos por ele.", finaliza Dolores.

Fonte: https://omunicipio.com.br/geladeira-brasileira-nasceu-em-brusque/

Curiosidades:

 

1 - A marca Consul não possui acento, ao contrário da grafia do substantivo cônsul. A explicação é simples: depois da construção da primeira geladeira, os fundadores da empresa concentraram-se em identificá-la. Pegaram então o nome cônsul e tentaram esculpi-lo em madeira, para que posteriormente fosse colado na porta do refrigerador. Eles usaram uma serra tico-tico no trabalho, que se mostrou perfeito, exceto pela dificuldade de se esculpir o acento circunflexo da palavra. Diante do problema, ficou decidido que a marca não teria acento, o que persiste até hoje.


 

2 - A empresa foi responsável por uma das campanhas mais memoráveis da história da propaganda brasileira. O slogan "Põe na Consul" virou mania: quando alguém não queria falar sobre determinado assunto dizia apenas "põe na Consul".

 

Mais versão:

 

Consul nasceu em 1950, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. De um pequeno galpão de 680 m2, saíram os primeiros refrigeradores da empresa. Em 1959, a Consul fez a primeira venda para o exterior, com destino ao Paraguai. 

 

A entrada na década de 60 deu-se com uma produção de 30 mil refrigeradores por ano. Nos anos dourados, a empresa aprimorou o sistema de isolamento térmico e lançou o modelo Consul Júnior, precursor do frigobar.

 

Outra novidade foi o lançamento da linha "Capacidade Total", refrigeradores com paredes comprimidas e mais espaço interno. Em 1969, para atender uma exigência do mercado, foi lançado o Supercongelador, o seu primeiro freezer doméstico.

 

Em 1971, a Consul lançou o primeiro Condicionador de ar totalmente produzido no País.

Atenta aos padrões estéticos da época, introduziu cores vibrantes – vermelho, azul, verde e amarelo – na sua linha de refrigeradores.

 

Aos poucos a Consul foi ampliando o seu catálogo de produtos, incluindo secadora de roupas, em 1980; fogões, fornos de microondas e lavadoras, na década de 90.

 

Atualmente, a linha Consul possui além de refrigeradores, freezers horizontais e verticais, condicionadores de ar, fogões, forno de microondas, lavadoras, lava-louças, depuradores de ar, centrífuga de roupa, climatizadores, ventiladores de teto e tanquinhos.

 

Fontes: dicionariodasmarcas.blog.br e multibras.com.br


Sobre a Consul

 

A Consul é uma das marcas da Whirlpool Latin America, empresa líder no setor de eletrodomésticos e parte da Whirlpool Corporation, maior fabricante mundial de eletrodomésticos.

 

A marca Consul tem uma longa trajetória de sucesso, afinal são 60 anos de história para contar...

 

Nasceu em 15 de julho de 1950, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. De um pequeno galpão de 680 m2, saíram os primeiros refrigeradores da empresa. A década seguinte trouxe uma produção expressiva e o lançamento do Consul Júnior, o precursor do frigobar. Este produto fez tanto sucesso que assegurou a liderança da marca no segmento. Outra novidade foi o primeiro freezer doméstico, o Supercongelador.

 

No início dos anos 70, a Consul inaugurou sua segunda fábrica e lançou novos produtos: o primeiro condicionador de ar totalmente produzido no País e a linha de refrigeradores com cores vibrantes - vermelho, azul, verde e grafite.

 

Sua aquisição pelo Grupo Brasmotor, veio em 1976. Dando sempre atenção especial às inovações nas linhas de refrigeradores e condicionadores de ar, a marca gradativamente ampliou seu catálogo de produtos, incluindo secadora de roupas, em 1980, e fogões, fornos de microondas e lavadoras, na década de 90.

 

Em 1994, a Consul deixou de ser uma empresa e tornou-se uma marca de produtos. Veja a linha atual no site:

....

http://www.consul.com.br/SobreaConsul


Um refresco na memória

 

Livro narra a rica trajetória de Willy Holderegger, pioneiro que ajudou a criar a primeira geladeira da Consul.

 

Encontro

Para poder casar, Willy precisou morar em Brusque, onde conheceu seus colegas de empreitada.

Em 1945, foi deixado em uma pequena oficina de Brusque um desenganado refrigerador. Sem muita esperança de conserto, o dono entregou a geladeira de querosene importada a Willy Holderegger e Rudolfo Stutzer. Eles consertavam de tudo em sua pequena oficina – que também funcionava como fábrica de anzóis –, mas o aparelho que transformava chama em gelo parecia estar além das habilidades da dupla. Durante meses, contando com o auxílio do especialista em rádios Oscar Bachmann, eles dissecaram o refrigerador até devolver o frio ao aparelho. No processo, os três criaram a primeira geladeira de absorção (suga calor para fabricar gelo) do Brasil, fagulha que deu origem à gigante Consul.

 

A história de um desses pioneiros que transformaram um pequeno galpão em uma das maiores fabricantes de geladeira do globo virou livro: “Willy Holderegger – Sangue Suíço... Coração Brasileiro!”, de Wilson Gelbcke. Durante mais de 30 anos, Gelbcke trabalhou como publicitário na Consul, convivendo diariamente com Willy (ou Guilherme, como também era chamado). O biografado morreu no mês passado, aos 85 anos, mas ainda teve tempo para longas conversas com o autor. “Ele adorava contar histórias. Então, um dia fiz uma proposta: por que não produzimos um livro com essas passagens, para que elas não se percam?”, conta Gelbcke.

Willy Holderegger nasceu, em 1922, na Basiléia, cidade suíça cortada pelo Reno. Órfão de pai aos dois anos, ele foi entregue aos cuidados dos tios – o novo marido da mãe só a aceitaria sem os filhos. Aos seis anos, ele e a irmã abandonaram o país natal, assolado pelo desemprego, rumo a um continente que prometia uma vida de fartura aos europeus. Ele morou em Erechim (RS) e Curitiba (PR) antes de desembarcar na estação ferroviária de Joinville, nos anos 1940. Na cidade catarinense, o grande amante da música ficou conhecido como Willy Balalaika – o seresteiro suíço encantava os amigos com canções de Orlando Silva e Francisco Alves.

 

A habilidade no violão ajudou na conquista de sua primeira esposa, Brigita Rauch. Como era estrangeiro, Willy poderia se casar apenas em Brusque, onde um amigo trabalhava como juiz. Mas havia uma condição: “É preciso morar três meses aqui para provar residência em Brusque”, avisou o juiz. Na nova cidade, ele conheceu o homem que o encaminhou para uma trajetória épica, Rudolfo Stutzer. O ex-motorista do cônsul Carlos Renaux o convidou para a sua oficina, berço do primeiro refrigerador construído por eles.

 

Graças ao tino comercial de Wittich Freitag, a oficina foi transferida para Joinville, onde virou fábrica. Freitag, proprietário de uma loja na cidade, não conseguia dar conta de todas as encomendas de refrigeradores. A solução foi transformar a oficina em indústria. O nome Consul é uma homenagem a Carlos Renaux, que ajudou a financiar os primeiros aparelhos. O crescimento da empresa foi monstruoso. De 1950 a 1962, ela fabricou cem mil geladeiras. Apenas três anos depois, saía da linha de montagem o refrigerador de número 200 mil.

 

Nesse processo, foi fundamental o equilíbrio entre responsabilidade e criatividade de Willy. “Ele era uma pessoa extremamente alegre, sempre rodeado de música e amigos. Quando entrava na empresa, era outro homem, um sujeito sério e trabalhador, mas sempre humano”, conta Gelbcke.

Willy deixou a Consul no começo da década de 1980. Segundo seu filho, Alberto, o fundador sentia um pouco de ressentimento por não fazer mais parte da empresa que agora pertencia a uma multinacional. “Ele não teve infância, então a vida dele foi a Consul. Mas ele viveu uma existência plena e vitoriosa”, diz.

 

Willy conseguiu ver a obra pronta. Quando o autor sugeriu uma sessão de autógrafos, ele respondeu: “Wilson, estou muito doente para isso. Mas faça um carimbo com a minha assinatura, para aplicar em todos os exemplares”. O bem-humorado pedido foi cumprido.

 

rodrigo.schwarz@an.com.br

 

Willy Holderegger – Sangue Suíço... Coração Brasileiro!”, de Wilson Gelbcke. Editora Letradágua, 162 páginas, R$ 25,00. O livro está à venda na Livraria Midas, rua Dr. João Colin, 475, Joinville.

Stutzer, um gênio cigano e intempestivo

 

O livro resgata a história de outro pioneiro da Consul: o intempestivo Rudolfo Stutzer. Considerado um gênio pelos colegas, ficou com 50% das ações da fábrica quando ela foi transferida de Brusque para Joinville. Ele deixou a empresa no final dos anos 1950, logo se desfazendo do dinheiro. “Ele era um cigano. Costumava dizer que trabalhar oito horas por dia era coisa para formiga, não para gente”, lembra Gelbcke.

Stutzer percorreu o Brasil com uma invenção sua, as águas dançantes, e era também um amante do cinema, sempre com com uma câmera de 8 milímetros por perto. “Ele chegou a ir para Itaipú, filmar a construção da usina”, conta Gelbcke. Stutzer morreu em 1984, desprovido do respeitável patrimônio dos demais fundadores da Consul.


Fonte: https://www.facebook.com/notes/curto-fotos-antigas-de-brusque/consul-e-energia/262526540491587/ 


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