A maior de todas as dificuldades nessa época, sem dúvida, foi a minha imensa timidez em fazer os contatos comerciais, para a venda das publicidades. De que jeito alguém tão envergonhado como eu conseguiria convencer um completo estranho a investir seus recursos numa revista em quadrinhos inédita que ninguém fazia ideia ainda do que se tratava?
A desconfiança era geral. Praticamente todos ouviram atentamente minhas argumentações e a grande maioria desejou sucesso para o empreendimento exótico. Mas quem abraçou a causa no início foram os empresários que já possuíam algum vínculo de convivência anterior comigo, especialmente nos empregos que eu havia tido ao longo da vida, até então. Muitos lojistas do Stop Shop (centro comercial atacadista), onde trabalhei por três anos, tornaram-se patrocinadores da revista. A gráfica onde trabalhei entre os 15 e 17 anos foi quem imprimiu a revista nos primeiros três anos. A Eletro Mecânica Cadori, que foi o meu segundo emprego (entre 1991 e 1993) patrocinou todas as edições que saíram nestes 25 anos.
Também patrocinaram as primeiras edições alguns locais onde instalei alarme de segurança entre 2000 e 2002, e alguns clientes que atendi como garçom, neste período. Fecharam os espaços da primeira edição alguns vizinhos de loja, do tempo em que tivemos um comércio atacadista de roupas no Limoeiro, entre 1990 e 1996.
Enfim, Graças ao Nosso Bom Deus, o suporte necessário para engatar a primeira marcha da Revista CARTUM, naquele tempo, foi obtido através da confiança dos patrocinadores em mim, gerada por bons serviços prestados nos empregos por onde passei na década anterior, executados com dedicação e honestidade, criando vínculos com quem conviveu comigo neste período, suficientes para que pudessem acreditar no sonho que eu estava tentando realizar.
Aos
poucos, a revista foi se tornando mais popular e conquistando novos
patrocinadores. Ainda não havia redes sociais e as empresas investiam mais em
publicidade impressa. Entre 2003 e 2007, foram criadas novas publicações: “Caderno
de Ofertas Cartum” (com promoções e descontos); “Quadrinhos de Brusque”
(distribuída para o público atacadista que frequentava os shoppings de
vestuário); “Catálogo Cartum” (específico sobre opções gastronômicas ou setor
de automóveis) e as edições especiais.
Os abençoados anunciantes que patrocinaram a revista Cartum com maior frequência são almas sensíveis que perceberam algo de bom naquelas páginas coloridas cheias de bonecos cabeçudos e pensaram que valia a pena que aquilo continuasse existindo. Uma generosa sensibilidade que estendeu sua mão a este projeto cultural teimoso e longevo. Não basta agradecer pelo apoio concedido. Cabe a mim, assumir o compromisso de fazer o melhor conteúdo que for possível de se conceber.
Começava então, um interminável rodízio de capas coloridas sobre os balcões do comércio brusquense, incentivando o hábito de leitura em cidadãos de todas as idades, classes sociais e níveis intelectuais. Histórias em quadrinhos são uma opção para quem ainda não possui o costume de ler livros e jornais. Elas prendem a atenção pela diversão e educam a mente do indivíduo a decodificar letras, assimilar ideias, acompanhar um raciocínio e, com alguma sorte, este leitor de quadrinhos vai seguir desfrutando de outras leituras, mais complexas e transformadoras. Só precisa criar o hábito, sentir prazer com a prática da leitura e reservar um tempinho diário para desconectar um pouco e folhar algumas páginas, absorvendo o seu conteúdo.
Naquele tempo, a Internet ainda era acessada timidamente por uma pequena parcela da população e a leitura física ainda era um hábito rotineiro.

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