Relato de Karl Kaerger em 1862: "O intercâmbio
comercial da Colônia com o porto marítimo de Itajaí devia se efetuar numa via
terrestre, devido à pouca navegabilidade do Rio Itajaí-Mirim, aliás outro
motivo do atraso econômico de Brusque. A citada picada, foi construída já algumas
vezes." (ortografia original) Os caminhos que levavam à Vila de Itajaí
eram intransitáveis, principalmente na época das chuvas. Grossas camadas de
lama, arvores caídas e trechos alagados, descreviam essa tortuosa picada. Não
se tratava propriamente de uma estrada. Esta, aliás, fazia parte dos planos do
Barão Schneeburg que, em 1863, recebeu uma bússola e papel: instrumentos
valiosos naquela época, para iniciar os trabalhos de planejamento de uma
estrada capaz de possibilitar a entrega da produção agrícola ao porto de
Itajaí.
No entanto, em dezembro de 1864, a estrada sonhada ainda não existia. Diante da situação, 182 colonos insatisfeitos, fizeram um abaixo-assinado endereçado a Sua Majestade Imperial. Vejamos, um pequeno trecho: "A communicação por hora hé somente fluvial e uma viagem para ir e voltar carece nas melhores circunstancias quatro ou cinco dias incertos, oito, dez e mais, quando a communicação terrestre em caminhos, somente sofriveis pode necessitar dois dias. A picada, que existe da Collonia à Villa d'Itajahy, provem de antigos caminhos de arrestar madeiras e se acha em miseravel estado, sem pontes e nos tempos pluviosos só com verdadeiro risco da vida se pode passar." (ortografia original)
Os anos passam... Em
1908 surge o projeto da construção de uma estrada de ferro. Vestígios dela
ainda podem ser encontrados ao longo da atual rodovia Antônio Heil, sendo o
ponto culminante o túnel que se encontra hoje no Parque das Esculturas. Foi
mais um projeto que não chegou ao fim, ou melhor, o trem nunca passou por aqui.
Mas, a estrada Itajaí-Brusque, em 1911, era considerada inevitável. Nessa
época, carroças faziam o difícil trajeto. Mais tarde, em 1930, caminhões e
calhambeques se aventuravam pela chamada estrada velha. Em 1959 surge a
campanha por uma ligação com a BR - 59 (atual BR - 101), que estava em
construção na época. O projeto da rodovia começou, mas parecia que nunca teria
fim... As obras foram iniciadas no dia 22 de agosto de 1969.
Finalmente, em outubro 1974, foi colocada a última camada de
asfalto. A inauguração da Rodovia
Antônio Heil foi um marco para Brusque, e seu nome homenageia o ex-prefeito de
Brusque, que cumpriu o seu mandato de 31 de janeiro de 1966 até 31 de janeiro
de 1970, e faleceu prematuramente em junho de 1971. Em julho de 2014, foi
assinada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, a ordem de serviço para a
duplicação da Rodovia Antônio Heil. Nela estão sendo investidos R$ 168 milhões.
Sem dúvida, uma obra necessária e fundamental para aumentar a segurança no
trânsito e fortalecer o progresso de toda a nossa região. Em 2015, assistimos
ao início dos trabalhos, que avançam em ritmo acelerado.
Pesquisa: Marlus
Niebuhr.




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